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Inteligência Artificial

Perplexity: uma nova referência em IA para buscas e descobertas

Em expansão internacional, a Perplexity explora um lado da IA voltado a experiências inteligentes, com aplicações que vão do e-commerce à análise de informações em alta escala

Postado em 10/02/2026

Leonardo Fróes

Nos últimos dois anos, o ecossistema de inteligência artificial passou por uma transformação profunda. O que começou com um mercado dominado por poucas plataformas (com destaque absoluto para o ChatGPT) rapidamente se diversificou.

Hoje, a IA generativa impulsionou o surgimento de um novo conjunto de empresas nativas de IA, especializadas em nichos como produtividade, agentes autônomos, navegação web, pesquisa científica, desenvolvimento, segurança e, claro, buscas.

É nesse contexto que a Perplexity emerge já como uma referência. Avaliada em aproximadamente US$ 20 bilhões e liderada por um time com passagens por empresas como OpenAI, Tesla e Meta, a startup consolidou sua proposta: transformar a busca online em uma experiência conversacional, contextual e orientada a respostas, não à links.

O Brasil, que já figura entre os maiores mercados de IA do mundo, entrou no mapa estratégico da empresa.

Saiba como está acontecendo essa expansão, o posicionamento da empresa no mercado global e como a Perplexity projeta um futuro inovador no comércio digital.

Uma nova categoria de buscas

A Perplexity foi fundada com uma premissa de tornar a busca online mais precisa, mais contextual e menos dependente de páginas indexadas. Em vez de simplesmente listar resultados, a plataforma usa modelos avançados de IA para sintetizar, comparar e explicar informações, oferecendo respostas completas com fontes verificáveis.

Diferentemente do Google, sua arquitetura foi pensada desde o zero para a era dos modelos generativos. Isso inclui:

  • inferências rápidas com dados combinados em tempo real;
  • um modelo de resposta que prioriza precisão e confiabilidade;
  • contextualização dinâmica, lembrando interações anteriores;
  • integração com grandes bases públicas e privadas de conhecimento. 

Esse modelo deu origem ao termo “answer engine” (motores de resposta), uma das categorias mais promissoras dentro do ecossistema emergente de IA.

Combinando escalabilidade e atualizações contínuas, a Perplexity rapidamente se tornou uma alternativa forte aos modelos tradicionais de busca, especialmente para usuários que precisam de dados organizados, sínteses e análises rápidas.

Expansão de mercado

Em 2024 e 2025, o Brasil entrou no top 5 de países que mais utilizam a Perplexity, ao lado de Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e Alemanha. Três fatores explicam essa relevância:

  1. Adoção acelerada de IA por empresas
    O segmento enterprise no Brasil cresceu mais de 500% em um ano, impulsionado por áreas como varejo, telecom, finanças e mídia.

  2. Crescimento do ecossistema de inovação
    Grandes corporações brasileiras estão internalizando IA generativa em produtos e processos, tornando a demanda por tecnologias como a Perplexity mais sólida e estratégica.

  3. Movimento global de descentralização da IA
    Com a abertura de unidades de empresas como OpenAI e Anthropic na América Latina, o Brasil se tornou um polo estratégico e competitivo.

A Perplexity já iniciou o processo de contratação de executivos no país e confirmou que abrirá um escritório local. Antes disso, já lançou sua primeira campanha de marketing em São Paulo, estrelada por Lewis Hamilton, com o slogan “Curiosidade vence”.

A expansão da Perplexity no Brasil tem respaldo direto da Valor Capital, gestora americana com foco em investimentos na América Latina. A empresa destinou cerca de US$ 105 milhões à startup, parte relevante dos mais de US$ 1,5 bilhão captados desde 2022.

Com receita anual recorrente (ARR) estimada em US$ 150 milhões, a Perplexity está bem-posicionada para ampliar seu portfólio de produtos, um dos quais tem recebido atenção especial: o navegador Comet.

O Brasil como polo de IA

A chegada da Perplexity ocorre em um momento estratégico. O Brasil tornou-se, em 2025, o terceiro maior mercado global do ChatGPT e um dos ecossistemas mais dinâmicos da América Latina. A demanda por ferramentas de IA cresceu tanto no ambiente corporativo quanto no uso pessoal.

Essa confluência cria um cenário favorável:

  • empresas mais maduras digitalmente;
  • consumidores abertos a novas plataformas;
  • um setor regulatório em evolução;
  • disponibilidade crescente de talentos em engenharia e dados.

A presença local de empresas como OpenAI, AWS, Google, Meta e startups emergentes reforça esse movimento.

Nesse panorama, a Perplexity chega com capital, tecnologia e timing competitivos para disputar espaço com gigantes.

Comet: o navegador com IA

Em julho de 2025, a Perplexity apresentou ao mercado o Comet, seu navegador próprio com IA incorporada. Ele repensa a experiência de navegar na web com:

  • busca nativa com IA, sem depender de engines externas;
  • assistente integrado que lê, resume, compara e interpreta o conteúdo das páginas;
  • capacidade de realizar tarefas autônomas: compras, reservas, e-mails e organização;
  • funções de agente inteligente, conectando ações com contexto histórico do usuário;
  • baseado em Chromium (mesma estrutura do Chrome e Edge);
  • importação simples de extensões e favoritos.

Inicialmente disponível somente para usuários do plano Perplexity Max (US$ 200/mês), o Comet agora está entrando em expansão global. Em novembro, a Perplexity lançou o Comet para Android, tornando-se um dos primeiros navegadores com IA verdadeiramente integrado no mobile. As novidades incluem:

  • modo de voz completo para conversar sobre qualquer aba;
  • resumos automáticos de páginas e artigos;
  • interação contextual enquanto o usuário navega;
  • promessa de sincronização de histórico e favoritos entre desktop e mobile (ainda em desenvolvimento).

Com isso, a empresa se posiciona para competir diretamente com Chrome, Safari, Edge e Gemini, mas com uma abordagem centrada na experiência inteligente e assistida pela IA.

O cenário competitivo das buscas

O domínio quase absoluto do Google nas últimas décadas começa a ser desafiado por uma nova geração de motores de busca alimentados por IA. Entre eles, a Perplexity é, hoje, o competidor mais visível e mais agressivo.

A empresa adotou uma estratégia diferenciada:

  • marketing direto, com campanhas globais;
  • parcerias estratégicas, como com a Motorola, que embarcou o assistente da Perplexity em smartphones;
  • integrações com telecom, como o acordo com a Vivo, que leva a ferramenta premium para milhões de usuários;
  • busca conversacional, que elimina camadas de cliques;
  • alta frequência de atualizações, incluindo novas capacidades de agentes.

IA como mediadora de experiências de compra

Além da busca, a Perplexity tem investido fortemente em um componente que deve redefinir o e-commerce: seu AI Personal Shopper.

A proposta é permitir que o usuário pesquise, refine e compre produtos com suporte de IA que entende contexto, preferências e necessidades.

O que muda com esse modelo?

  • Curadoria personalizada
    O agente consegue conectar conversas anteriores e entender situações reais de uso.

  • Comparação inteligente
    A IA organiza produtos com especificações, reviews e recomendações com base em critérios objetivos.
  • Compra direta
    Com parceria Instant Buy com PayPal, usuários podem transacionar sem sair da plataforma.
  • Experiência orientada à intenção
    O foco deixa de ser listas infinitas de links e passa a ser o entendimento real da necessidade do consumidor.

Essa mudança ainda está em fase experimental, mas sinaliza um caminho em que a IA será parte central da experiência de comprar, pesquisar e decidir.

O avanço das IAs especializadas indica que diferentes segmentos tendem a adotar ferramentas construídas para resolver problemas específicos com maior profundidade. No caso da Perplexity, a combinação entre busca contextualizada, análise estruturada de informações aponta para um modelo em que a navegação online se torna cada vez mais orientada por intenção e necessidade real.

À medida em que essas tecnologias evoluem, hábitos de pesquisa e compra passam a incluir interações mais conversacionais, uma curadoria personalizada e decisões mediadas por sistemas capazes de oferecerem recomendações realmente inteligentes.