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Saúde

Vício em celular vira doença, tem nome e já afeta 60% dos brasileiros

Conheça a nomofobia, condição que tem transformado a relação com a tecnologia em um problema de saúde pública

Postado em 08/01/2026

Brenda Pimentel

Você sente angústia quando não encontra seu celular? Verifica compulsivamente o smartphone mesmo sem ter recebido notificações? Fica ansioso só de pensar em ficar sem bateria ou conexão à internet? Se a resposta para todas essas perguntas for sim, você pode estar entre os milhares de brasileiros que sofrem de nomofobia — uma condição que vem crescendo silenciosamente e transformando nossa relação com a tecnologia em um problema de saúde pública. 

Um estudo da nomophobia.com, portal dedicado ao tema, revelou que 60% dos brasileiros reportam ansiedade quando não estão com seus celulares. A pesquisa, realizada com mais de 3 mil latino-americanos, incluindo argentinos, brasileiros, chilenos, colombianos, mexicanos e peruanos, mostrou que 87% dos entrevistados se consideram dependentes de seus smartphones para suas atividades diárias. 

O que é nomofobia

Derivado da expressão em inglês "no mobile phone phobia", o termo "nomofobia" descreve o medo irracional de ficar sem o celular ou impossibilitado de usá-lo. Mas não se trata apenas de um incômodo passageiro: a Organização Mundial de Saúde (OMS) já classifica a dependência digital como uma patologia real, com sintomas físicos e emocionais comparáveis aos da dependência química.

No Brasil, o problema ganha contornos ainda mais preocupantes. Segundo dados do portal Electronics Hub, o país ocupa a segunda posição mundial em tempo de uso de telas, com os brasileiros passando aproximadamente 9 horas diárias em frente a dispositivos eletrônicos, ficando atrás apenas da África do Sul. Esse comportamento tem consequências diretas na saúde mental da população, especialmente entre crianças e adolescentes.

A ciência por trás do problema

Outros estudos científicos têm confirmado a gravidade da situação. Uma pesquisa publicada no Brazilian Journal of Health Review em 2024 revelou que a nomofobia está diretamente associada a transtornos psiquiátricos em adolescentes e adultos jovens, incluindo sintomas de humor deprimido, anedonia (que é a incapacidade de sentir prazer), alterações de sono e apetite, além de prejuízos significativos nas relações interpessoais.

A pandemia de COVID-19 agravou ainda mais o cenário. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz, publicado na revista RECIIS em 2024, avaliou o impacto do isolamento social nos níveis de nomofobia no Brasil. Os resultados mostraram que o confinamento aumentou significativamente os índices de dependência digital, principalmente entre mulheres de 20 a 29 anos e de 50 a 59 anos.

Pesquisas de 2025 também demonstraram que a nomofobia exerce papel mediador entre a intensidade de uso da tecnologia e a síndrome de Burnout no ambiente de trabalho, evidenciando que o problema transcende a vida pessoal e afeta diretamente a produtividade e o bem-estar profissional.

Os sintomas silenciosos 

Assim como toda condição mental, a nomofobia manifesta-se de diversas formas e reúne sintomas psicológicos, físicos e comportamentais. Confira abaixo alguns dos sintomas mais frequentes de acordo com essa diferenciação.

Sintomas psicológicos:

  • Ansiedade intensa ao estar sem o celular
  • Verificação compulsiva do aparelho mesmo sem motivo
  • Medo irracional de perder informações ou conexões
  • Isolamento social para permanecer no mundo virtual
  • Sensação de felicidade maior no ambiente digital que no real

Sintomas físicos:

  • Distúrbios do sono causados pelo uso noturno do celular
  • Problemas de concentração e produtividade
  • Fadiga mental constante
  • Sintomas de abstinência similares aos de dependência química

Impactos comportamentais:

  • Dificuldade em manter conversas presenciais
  • Diminuição do rendimento acadêmico ou profissional
  • Negligência de responsabilidades diárias
  • Deterioração de relacionamentos pessoais

A escola como termômetro do problema

A gravidade da nomofobia fica evidente no contexto escolar. Em 2025, o Brasil promulgou a Lei nº 15.100, que regulamenta o uso de aparelhos eletrônicos portáteis nas escolas de educação básica. A legislação surge como resposta ao impacto negativo que a dependência digital causa na capacidade de concentração, no desempenho acadêmico e na interação social dos estudantes.

Educadores relatam dificuldades crescentes em manter a atenção dos alunos, que apresentam comportamentos impulsivos, baixa tolerância à frustração e imediatismo — características típicas de quem desenvolveu dependência tecnológica. O culto à velocidade, marcado por conteúdos acelerados em 2x, vídeos de 30 segundos e feeds intermináveis está formando uma geração com menor paciência para processos que exigem tempo e reflexão. Isso sem levar em consideração o próprio algoritmo, que trabalha 24h por dia para entregar apenas o que o usuário gosta, reafirmando preferências, conceitos e ideologias, que por vezes podem ser nocivas, fechando o internauta em uma bolha que o impede de enxergar outras culturas e informações.

Soluções tecnológicas para um problema tecnológico

Paradoxalmente, a própria tecnologia pode ser parte da solução. O mercado já oferece ferramentas desenvolvidas especificamente para ajudar no controle do uso excessivo da internet, abordando o problema de maneira preventiva e estrutural.

Uma dessas soluções é o CodeWall, uma solução inovadora que conta com aplicativo e dispositivo físico que atua diretamente na fonte do problema: o Wi-Fi. Diferente de outras soluções que podem ser facilmente desinstaladas ou contornadas, o CodeWall permite gerenciar o tempo de uso da internet de toda a família de forma centralizada, estabelecendo limites saudáveis sem depender da cooperação individual de cada usuário.

Esse tipo de abordagem é particularmente eficaz porque:

  • Remove a necessidade de controle individual constante
  • Estabelece limites claros e consistentes para toda a família
  • Não pode ser facilmente desativado por usuários ansiosos
  • Permite gradualmente reduzir o tempo de uso sem cortes abruptos
  • Funciona em todos os dispositivos conectados à rede, sejam eles smartphones, TVs, computadores, notebooks, tablets ou videogames. 

Outras ferramentas digitais complementares incluem aplicativos de monitoramento de uso, bloqueadores de sites durante horários específicos e recursos nativos dos smartphones que rastreiam o tempo em cada aplicativo.

O papel fundamental da família e da educação digital

Apesar de eficientes, essas soluções são apenas um apoio para resolver o problema. Especialistas são unânimes: é necessário estabelecer uma abordagem multidisciplinar, que inclua educação digital consciente, limites claros e consistentes, exemplo familiar, atividades alternativas e, em casos mais graves, acompanhamento com profissionais especializados em dependências comportamentais. 

É preciso ensinar crianças e adolescentes sobre os riscos da dependência digital desde cedo, desenvolvendo senso crítico sobre o uso da tecnologia. Estabelecer horários livres de telas, especialmente antes de dormir e durante as refeições é essencial para desenvolver uma relação mais saudável com a internet. Além disso, pais e responsáveis precisam modelar o comportamento que desejam ver nos filhos, incentivando hobbies, esportes e interações sociais presenciais que compitam positivamente com o uso do celular.

Quando a tela apaga, o que fica?

A nomofobia revela um paradoxo da era digital: nunca estivemos tão conectados virtualmente e tão desconectados emocionalmente. A tecnologia foi criada para facilitar nossa vida, não para dominá-la. Reconhecer esse problema é o primeiro passo para recuperar o controle.

Com 60% da população brasileira já afetada, e o país ocupando a segunda posição mundial em tempo de uso de telas, não podemos mais ignorar os sinais. A nomofobia não é uma fraqueza de caráter ou falta de força de vontade — é uma condição real que exige atenção, compreensão e estratégias de enfrentamento.

Felizmente, com o crescente reconhecimento do problema, surgem também soluções cada vez mais sofisticadas. Ferramentas como o CodeWall, combinadas com educação digital, apoio familiar e, quando necessário, acompanhamento profissional, podem ajudar a construir uma relação mais saudável e equilibrada com a tecnologia.

Afinal, o celular deve ser uma ferramenta a nosso serviço, não um mestre a quem servimos compulsivamente. Está na hora de apagarmos a tela e acendermos novamente as conexões que realmente importam: aquelas feitas olho no olho, coração a coração.