A Meta Platforms, empresa de Mark Zuckerberg que engloba Facebook, Instagram e WhatsApp, anunciou a aquisição da startup de inteligência artificial Manus por aproximadamente US$ 2 bilhões, no final de dezembro de 2025.
A empresa, que ganhou notoriedade global ao longo do último ano, tornou-se conhecida por desenvolver sistemas de IA capazes de executar tarefas complexas de forma autônoma, indo além do modelo tradicional de chatbots conversacionais.
Fundada em 2022 e atualmente sediada em Singapura, a Manus apresentou um crescimento acelerado em usuários e receita, atraindo a atenção de investidores e grandes empresas de tecnologia. A negociação com a Meta ocorre em um momento em que a companhia de Mark Zuckerberg amplia seus investimentos em infraestrutura de IA e busca integrar capacidades mais avançadas aos seus principais produtos, como Facebook, Instagram e WhatsApp.
A aquisição também levanta discussões relevantes sobre mercado, regulação e o papel crescente de agentes de IA em aplicações corporativas e de consumo.
Como a Manus ganhou destaque
A Manus é uma startup de inteligência artificial que ganhou visibilidade ao lançar uma plataforma baseada em agentes autônomos. Diferentemente de modelos focados apenas em respostas textuais, sua tecnologia permite que a IA execute tarefas completas a partir de comandos de alto nível.
Entre os exemplos apresentados pela empresa estão a triagem de currículos, o planejamento detalhado de viagens, a análise de carteiras de investimento e a organização de fluxos de trabalho digitais.
A Manus descreve sua tecnologia como “agêntica” (tradução livre de “agentic”, destacando a capacidade de planejar, decidir e executar ações com baixa intervenção humana.
Desde o lançamento comercial, a plataforma processou volumes elevados de dados e ampliou rapidamente sua base de usuários, tornando-se um dos casos mais comentados no ecossistema global de IA aplicada.
Crescimento financeiro e modelo de negócio
Um dos principais fatores que diferenciaram a Manus no mercado foi seu desempenho financeiro em curto prazo. Em menos de um ano de operação, a empresa ultrapassou a marca de US$ 100 milhões em receita recorrente anual (ARR), com crescimento mensal superior a 20%.
Além das assinaturas, a Manus também gera receita por uso, ampliando a previsibilidade financeira do negócio. Segundo dados divulgados pela própria empresa, a receita anualizada total já supera US$ 125 milhões.
Esse desempenho colocou a startup em uma posição incomum no mercado de IA, onde muitas empresas ainda operam sem modelos claros de monetização.
Os termos da aquisição pela Meta
De acordo com informações divulgadas pela imprensa internacional, a Meta concordou em pagar cerca de US$ 2 bilhões pela Manus, valor próximo ao que a startup buscava em sua próxima rodada de investimento.
A Meta informou que a Manus continuará operando de forma independente, ao mesmo tempo que suas tecnologias serão gradualmente integradas aos produtos do grupo. A expectativa é que os agentes desenvolvidos pela startup passem a reforçar funcionalidades já existentes e viabilizem novos casos de uso dentro do ecossistema da empresa.
A negociação começou poucos meses após a Manus alcançar escala significativa de usuários e receita, indicando uma movimentação rápida por parte da Meta.
Integração com Facebook, Instagram e WhatsApp
A Meta já possui presença relevante em IA por meio do Meta AI, disponível em seus principais aplicativos. A incorporação da tecnologia da Manus amplia esse portfólio, especialmente no que diz respeito à execução de tarefas.
Embora os detalhes ainda não tenham sido totalmente divulgados, a Meta informou que pretende integrar gradualmente a tecnologia da Manus aos seus principais produtos. A lógica de uso dos agentes aponta para aplicações práticas dentro do ecossistema da empresa.
Possíveis aplicações:
- Automação de tarefas em mensagens e atendimento a usuários.
- Apoio a pequenas empresas na organização de atividades e processos.
- Execução de ações a partir de comandos simples dentro dos aplicativos.
- Integração com funcionalidades já existentes do Meta AI.
A proposta é ampliar o papel da IA dentro das plataformas, indo além da resposta a perguntas e avançando para a execução de tarefas.
A tecnologia por trás dos agentes da Manus
A Manus se destaca por operar agentes de IA que combinam modelos de linguagem com ambientes computacionais virtuais. Esses agentes são capazes de interagir com sistemas, acessar dados, executar múltiplas etapas e concluir tarefas de forma estruturada.
Segundo dados divulgados pela empresa, a plataforma já processou mais de 147 trilhões de tokens e criou dezenas de milhões de ambientes virtuais para execução de tarefas. Tal arquitetura permite escalar operações complexas sem depender exclusivamente de interações humanas contínuas.
Esse modelo técnico aproxima a IA de aplicações operacionais e empresariais, além do uso estritamente informacional.
Questões regulatórias e geopolíticas
A aquisição da Manus entrou no radar de autoridades chinesas devido às origens da empresa e de seus fundadores. Embora a sede tenha sido transferida para Singapura, parte da tecnologia foi desenvolvida por uma empresa relacionada registrada em Pequim.
O governo chinês avalia se a transferência de tecnologia e talentos exige licenças específicas de exportação, conforme a legislação local. Parlamentares, nos Estados Unidos, também levantaram questionamentos sobre investimentos anteriores de capital americano em empresas com vínculos chineses.
Em resposta, a Meta afirmou que, após a conclusão da aquisição, a Manus não manterá operações nem participação de investidores chineses, buscando mitigar riscos regulatórios e políticos.
O que a aquisição indica sobre o mercado de IA
Embora a maior parte do movimento seja informativa e estratégica, a aquisição da Manus também sinaliza uma tendência relevante no mercado de IA. O foco das grandes empresas começa a se deslocar do debate sobre “qual modelo é melhor” para a capacidade de orquestrar, integrar e governar sistemas de IA em contextos reais.
Agentes capazes de executar tarefas, interagir com dados corporativos e operar dentro de regras claras tendem a ganhar espaço em aplicações empresariais. Neste cenário, o valor passa a estar menos no modelo isolado e mais na infraestrutura que permite sua aplicação prática, segura e escalável.
A compra da Manus sugere que a Meta reconhece essa mudança e busca internalizar competências ligadas à execução, e não apenas à interface conversacional.
O que vem por aí?
Ainda não há um cronograma público detalhado para a integração completa da tecnologia da Manus aos produtos da Meta. No entanto, a aquisição ocorre em um momento estratégico: o encerramento de um ano marcado por altos investimentos em infraestrutura de IA e por um debate crescente sobre retorno financeiro, concentração tecnológica e sustentabilidade do setor.
Em um contexto no qual se discute a possibilidade de uma bolha em torno da inteligência artificial, tais aquisições indicam uma preferência por tecnologias maduras, integráveis e com impacto direto em produtos amplamente utilizados.
A compra da Manus também reforça a concentração de capacidades avançadas de IA nas mãos de grandes plataformas, especialmente aquelas que controlam distribuição, dados e infraestrutura. Esse fator tende a influenciar não apenas a dinâmica competitiva do setor, mas também a forma como novas empresas estruturam seus produtos desde a origem, já pensando em integração, governança e escalabilidade.
O caso da Manus amplia o debate sobre novas formas de uso da inteligência artificial.
Ao ir além da interação conversacional e focar na execução de tarefas e automação de processos, esse tipo de tecnologia aponta para um uso mais operacional da IA, no qual o valor está menos na resposta e mais na ação. Esse deslocamento deve moldar tanto o desenvolvimento de produtos quanto a expectativa dos usuários nos próximos ciclos da tecnologia.



