Computação em Nuvem

Como Product Engineers reduzem dois dígitos na conta AWS sem contratar ninguém

Com uma visão que une produto, infraestrutura e negócio, o Product Engineer identifica desperdícios invisíveis na AWS e aplica práticas de FinOps que geram economia sem comprometer a performance da aplicação.

17/07/2026

Igor Reis

A computação em nuvem trouxe velocidade para desenvolver produtos, escalar aplicações e lançar novas funcionalidades. Porém, essa mesma facilidade faz com que muitas empresas acumulem desperdícios quase imperceptíveis ao longo do tempo. Máquinas maiores do que o necessário, ambientes de desenvolvimento funcionando durante toda a madrugada, snapshots esquecidos, volumes sem utilização e recursos que permanecem ativos mesmo depois do encerramento de projetos acabam elevando a conta da AWS mês após mês.

Esse cenário é mais comum do que parece. Segundo o Flexera State of the Cloud 2026, cerca de 29% dos gastos em cloud ainda são considerados desperdício, resultado principalmente da falta de governança contínua sobre a infraestrutura. Em vez de depender exclusivamente de um time dedicado de FinOps ou contratar consultorias para encontrar esses gargalos, muitas empresas estão descobrindo que o próprio Product Engineer possui a visão necessária para identificar oportunidades de economia enquanto desenvolve e evolui o produto.

Por que empresas desperdiçam tanto dinheiro na AWS mesmo utilizando serviços modernos?

A flexibilidade da AWS permite criar ambientes, escalar aplicações e disponibilizar novos recursos em poucos minutos. Essa agilidade acelera o desenvolvimento, mas também facilita o surgimento de custos que passam despercebidos quando a infraestrutura cresce sem governança. Ambientes de teste esquecidos, instâncias superdimensionadas, snapshots antigos e recursos que continuam ativos após o fim de um projeto são alguns dos desperdícios mais comuns.

O problema não está na AWS, mas na falta de um acompanhamento contínuo sobre o uso dos recursos. Muitas vezes, esses custos são pequenos individualmente, porém, quando somados ao longo dos meses, representam uma parcela significativa da fatura. Segundo o relatório State of the Cloud 2026, da Flexera, as organizações estimam desperdiçar, em média, 29% dos gastos com cloud, principalmente pela ausência de práticas consistentes de otimização e governança.

Mais do que cortar despesas, o desafio é criar uma cultura de revisão constante da infraestrutura. É justamente nesse cenário que o Product Engineer se destaca, utilizando sua visão sobre produto e tecnologia para identificar desperdícios antes que eles impactem o orçamento e a escalabilidade da operação.

O que diferencia um Product Engineer de um desenvolvedor tradicional?

Enquanto um desenvolvedor tradicional costuma concentrar seus esforços na implementação de funcionalidades, o Product Engineer participa de todo o ciclo de vida do produto, tomando decisões que equilibram experiência do usuário, desempenho, escalabilidade e sustentabilidade do negócio. Seu foco não é apenas entregar código funcional, mas garantir que cada escolha gere valor para o produto como um todo.

Essa atuação exige uma visão ampla sobre arquitetura, infraestrutura, confiabilidade e custos operacionais. Antes de implementar uma solução, por exemplo, o Product Engineer avalia se ela será escalável, fácil de manter e financeiramente viável ao longo do tempo, evitando decisões que possam aumentar desnecessariamente os gastos com cloud.

Esse modelo de trabalho está diretamente ligado ao conceito de ownership, no qual o profissional assume responsabilidade pelos resultados do produto após a entrega. Em vez de apenas desenvolver uma funcionalidade e seguir para a próxima tarefa, ele acompanha seu impacto, monitora indicadores e busca melhorias contínuas, inclusive na eficiência da infraestrutura e na otimização de custos. É essa visão integrada que torna o Product Engineer um aliado estratégico para empresas que desejam crescer de forma sustentável.

Os desperdícios que um Product Engineer consegue identificar antes que eles virem prejuízo

Na maioria das empresas, os maiores desperdícios na AWS não surgem por decisões erradas, e sim pela falta de revisões constantes da infraestrutura. Como acompanha o produto desde o desenvolvimento até a operação, o Product Engineer consegue identificar esses gargalos antes que eles se transformem em custos recorrentes.

EC2 superdimensionadas e ambientes de desenvolvimento ligados 24 horas

É comum que instâncias sejam criadas com configurações acima da necessidade para suportar picos de acesso ou acelerar testes. Com o passar do tempo, a demanda muda, mas essas máquinas continuam consumindo recursos e elevando a fatura. O mesmo acontece com ambientes de desenvolvimento e homologação que permanecem ligados durante noites, finais de semana e feriados, mesmo sem utilização. Revisões periódicas de utilização, rightsizing e rotinas de desligamento automático costumam gerar economias imediatas sem impactar a produtividade da equipe.

Volumes EBS órfãos e snapshots antigos

Quando uma instância EC2 é removida, nem sempre seus volumes de armazenamento e snapshots deixam de existir. Volumes desacoplados (unattached volumes) continuam sendo cobrados normalmente, enquanto snapshots antigos se acumulam ao longo do tempo, muitas vezes sem qualquer política de retenção. A própria AWS recomenda revisar esses recursos regularmente e automatizar seu ciclo de vida para evitar custos desnecessários.

Load Balancers esquecidos e transferências entre regiões

Alterações na arquitetura podem deixar Load Balancers ativos mesmo sem receber tráfego ou atendendo poucos recursos. Além disso, uma configuração inadequada pode aumentar os custos com transferência de dados entre zonas de disponibilidade ou regiões diferentes, um gasto que costuma passar despercebido nas primeiras análises da fatura. Projetar a arquitetura considerando a localização dos serviços e revisar componentes que já não fazem sentido operacional ajudam a reduzir esse tipo de desperdício.

Bancos de dados com capacidade acima da demanda

Bancos de dados também costumam crescer por precaução. É comum encontrar instâncias provisionadas para suportar uma carga muito maior do que a realmente utilizada, além de armazenamento e réplicas mantidos sem necessidade. Ao acompanhar métricas de uso e a evolução do produto, o Product Engineer consegue ajustar esses recursos conforme a demanda real, equilibrando desempenho, disponibilidade e custo operacional.

Como práticas de FinOps entram naturalmente no fluxo de desenvolvimento

FinOps não é uma tarefa exclusiva do financeiro ou da infraestrutura. Em times orientados a produto, decisões técnicas tomadas durante o desenvolvimento já influenciam diretamente a conta da AWS. Por isso, práticas como tagging consistente, monitoramento de custos, rightsizing, autoscaling e o uso adequado de Savings Plans passam a fazer parte do dia a dia da engenharia, e não apenas de uma revisão feita no fim do mês.

Nesse cenário, o Product Engineer atua com uma visão de accountability sobre o produto: ele acompanha o impacto das funcionalidades não só em performance e experiência do usuário, mas também em custo operacional. Revisões periódicas da arquitetura, análise de métricas de utilização e ajustes contínuos deixam de ser iniciativas pontuais e se tornam parte natural do ciclo de desenvolvimento, criando uma cultura em que cada decisão técnica considera sua eficiência financeira.

Otimizações que podem gerar economias de dois dígitos

Nem sempre é preciso redesenhar toda a arquitetura para reduzir os custos da AWS. Em muitos casos, os maiores ganhos vêm da soma de ajustes simples que passam despercebidos no dia a dia. Automatizar o desligamento de ambientes de desenvolvimento fora do horário de uso, substituir instâncias superdimensionadas por opções mais adequadas, remover recursos órfãos e revisar periodicamente o armazenamento são medidas que, quando aplicadas em conjunto, podem representar economias de dois dígitos, especialmente em ambientes que nunca passaram por um processo estruturado de otimização.

Outro ponto importante é aproveitar os recursos oferecidos pela própria AWS. Migrar cargas compatíveis para instâncias baseadas em AWS Graviton pode reduzir custos mantendo ou até melhorando o desempenho em diversas aplicações. Da mesma forma, avaliar quando utilizar instâncias On-Demand e quando adotar Savings Plans evita gastos desnecessários com capacidade previsível. O segredo não está em uma única mudança, mas na combinação de pequenas decisões orientadas por dados e revisadas continuamente. Quanto menor a maturidade da gestão da infraestrutura, maior tende a ser o potencial de economia encontrado nas primeiras análises.

Por que esperar um projeto de otimização custa mais caro do que otimizar continuamente

Muitas empresas só revisam os custos da AWS quando a fatura aumenta ou quando decidem iniciar um projeto específico de redução de gastos. O problema é que, nesse intervalo, pequenos desperdícios se acumulam e passam a fazer parte da operação. Recursos subutilizados, serviços esquecidos e configurações que já não refletem a realidade do produto continuam consumindo orçamento por meses, tornando a correção mais trabalhosa e menos eficiente do que seria com um acompanhamento contínuo.

Por isso, a otimização da infraestrutura deve fazer parte do próprio ciclo de desenvolvimento. Com práticas de observabilidade financeira, monitoramento constante e uma cultura de melhoria incremental, equipes conseguem identificar desvios rapidamente e corrigir problemas antes que eles impactem o orçamento. Para o Product Engineer, acompanhar a saúde financeira da infraestrutura é tão importante quanto monitorar métricas de desempenho, disponibilidade e experiência do usuário, garantindo que o produto evolua de forma sustentável.

Product Engineering, FinOps e cultura: quando economia deixa de ser responsabilidade de um único time

À medida que as empresas amadurecem, otimizar custos deixa de ser uma responsabilidade exclusiva da infraestrutura ou do financeiro. Desenvolvimento, produto, arquitetura e operações passam a compartilhar esse compromisso, incorporando práticas de FinOps ao ciclo de desenvolvimento e tratando eficiência como um indicador tão importante quanto performance, disponibilidade e qualidade. É essa cultura que permite reduzir desperdícios de forma contínua, sem comprometer a evolução do produto.

Na Codebit, acreditamos que essa otimização deve fazer parte da rotina e não acontecer apenas quando a fatura da AWS se torna um problema. Por isso, nossos serviços de infraestrutura incluem revisões de arquitetura, acompanhamento recorrente de FinOps e gestão especializada de ambientes AWS para identificar oportunidades de melhoria antes que elas impactem os custos do negócio. Se você quer entender onde sua infraestrutura pode ganhar mais eficiência, entre em contato com nosso time e conheça nossas soluções. E, para aprofundar a discussão sobre Product Engineers, FinOps e boas práticas de engenharia, vale acompanhar também o Deploy de Sexta, podcast que apoiamos em parceria com Felipe Barreiros.


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